Estão mortos,
Estão todos mortos
Enterrados com suas histórias de amor
Contemplam agora as flores do além:
abraços-não-dados
Mas, antes de serem degolados
pelo ponteiro do relógio
Admiravam a complexidade humana
O dom de se sentirem menos dignos
que fungos e cupins.
Culpavam Mercúrio
Pelo redemoinho de ideias
Que depois se condensariam
Em torrenciais de vogais.
E os que aqui ficaram
Acorrentados aos aspectos forenses da morte
Encaixotam as heranças deixadas,
Poesias, rabiscos
Artes Inúteis aos seus olhos
Que nada mais faziam do que retirar
Escamas e mais escamas da dor
Além da péssima analogia à terra
que o suposto autor fazia
Ao descrever a erosão em seu peito.
Quem poderia acreditar
Que o amor cravou as unhas
Em seu couro cabeludo, obrigando-o
A engolir pétalas de flores amarelas?
Os mortos também deixaram
Memórias descritas em tinta peculiar
invisíveis para alguns - leia-se lágrimas;
melodias dissonantes e receitas
De como triturar sentimentos
Compor gargalhadas em dó maior
Para o óbito diário
De todas as suas personas
Morto
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