As feridas entre a carne
e a coleira do cão
sangram sobre parasitas
e carrapatos
que brindam
a cada tentativa de fuga.
Em seus sonhos caninos,
rabos badalam feito sinos:
"Seus irmãos virão te buscar"
A noite vermelha e indiferente
o inspira a sonhar
que a coleira, um dia,
vire foice.
morto
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
sábado, 16 de novembro de 2019
O PROLETÁRIO E A NOITE
Assim que o sol se pôs
alguém questionou:
Como podem
as luzes de tantas estrelas mortas
penetrarem essa esfera viva?
São pontos de luz,
códigos enigmáticos
brincando com a noite.
Flertam com a lua crescente
e parecem fazer o céu sorrir.
É um espetáculo distante
a competir com a luz artificial
das cidades e das fábricas
(como se o vazio humano
buscasse um vazio no espaço)
É uma poesia distante,
mas que se aproxima
das almas frágeis e humildes
cujos olhos sustentam
pálpebras que pesam toneladas.
morto
alguém questionou:
Como podem
as luzes de tantas estrelas mortas
penetrarem essa esfera viva?
São pontos de luz,
códigos enigmáticos
brincando com a noite.
Flertam com a lua crescente
e parecem fazer o céu sorrir.
É um espetáculo distante
a competir com a luz artificial
das cidades e das fábricas
(como se o vazio humano
buscasse um vazio no espaço)
É uma poesia distante,
mas que se aproxima
das almas frágeis e humildes
cujos olhos sustentam
pálpebras que pesam toneladas.
morto
terça-feira, 12 de novembro de 2019
sábado, 9 de novembro de 2019
PARTY HARD
Houve uma festa aqui
e, por alguma razão
restaram bexigas murchas
contendo leite estragado
e, por alguma razão
restaram bexigas murchas
contendo leite estragado
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Sentada ao seu lado
reparando nas nuvens
reparo nelas melhor-
tu não me tiraste a natureza,
tu mudaste a natureza
trouxeste-me a natureza
para os meus pés
por tu existires, vejo-a melhor,
por tu me amares,
amo-a mais
por tu me escolheres para
te ter e te amar,
os meus olhos fitam-na
demoradamente.
Não me arrependo
do que fui outrora-
porque ainda o sou,
só me arrependo de outrora
não ter te amado
(e ao universo agradeço
por nossas almas
terem se reencontrado)
-uma dedicatória.
reparando nas nuvens
reparo nelas melhor-
tu não me tiraste a natureza,
tu mudaste a natureza
trouxeste-me a natureza
para os meus pés
por tu existires, vejo-a melhor,
por tu me amares,
amo-a mais
por tu me escolheres para
te ter e te amar,
os meus olhos fitam-na
demoradamente.
Não me arrependo
do que fui outrora-
porque ainda o sou,
só me arrependo de outrora
não ter te amado
(e ao universo agradeço
por nossas almas
terem se reencontrado)
-uma dedicatória.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
terça-feira, 25 de junho de 2019
JAZ
O inverno
Cheira à flores mortas
As velas estão apagadas
O silêncio é Deus
Rabiscando um caixão
Finalmente
O morto está em paz
morto
O morto está em paz
morto
sexta-feira, 21 de junho de 2019
terça-feira, 4 de junho de 2019
TEMPESTADE
Gotas explodem sobre meu guarda-chuva
São canhões para o funeral
Destes versos que já nasceram mortos:
Não há poças suficientes
Para guardarem as lágrimas do céu
Eu posso ouvi-lo urrando trovões
Que estupram tímpanos sensíveis,
Atormentando o animal domesticado.
Eu me recordo
Do prefácio da tempestade
Quando restos de cigarros
Dançavam pelas calçadas
E árvores envergadas
Reverenciavam o vento
Maestro e dono
da ode (arrebatadora)
Às crianças dos olhos cansados
E roupas encharcadas
Elas buscam refúgio,
Anseiam pela luz
Do sol que se escondeu.
morto
São canhões para o funeral
Destes versos que já nasceram mortos:
Não há poças suficientes
Para guardarem as lágrimas do céu
Eu posso ouvi-lo urrando trovões
Que estupram tímpanos sensíveis,
Atormentando o animal domesticado.
Eu me recordo
Do prefácio da tempestade
Quando restos de cigarros
Dançavam pelas calçadas
E árvores envergadas
Reverenciavam o vento
Maestro e dono
da ode (arrebatadora)
Às crianças dos olhos cansados
E roupas encharcadas
Elas buscam refúgio,
Anseiam pela luz
Do sol que se escondeu.
morto
quarta-feira, 22 de maio de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
segunda-feira, 20 de maio de 2019
segunda-feira, 6 de maio de 2019
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
QUASE VERDADE
Desfrute das animalidades
Do primata moderno
Suja tua alma
Enche de lama teu coração
Use quantas máscaras puder
Minta centenas ou milhares de vezes
Engane quantas vezes puder
Seja mártir nesta guerra hipócrita
Defenda teu ego
Com a cortina do amor próprio
Venda teu caráter
Pelo prazer de ver o outro
Padecer
Pelo prazer de, quem sabe, sentir
Nada mais que prazer
Alimente ideologias nobres, porém
Se a consciência falar
Grite mais alto que ela
Seja mais do mesmo
Carrasco da injustiça
Em nome da própria justiça
Honra tua vingança
Usando-a como bússola e norte
No caminho covarde do orgulho
E, sobretudo, não desconfie
Da ordem natural das coisas
Do papel em que está inserido
Pois até a natureza
Precisa dos vermes
morto
Do primata moderno
Suja tua alma
Enche de lama teu coração
Use quantas máscaras puder
Minta centenas ou milhares de vezes
Engane quantas vezes puder
Seja mártir nesta guerra hipócrita
Defenda teu ego
Com a cortina do amor próprio
Venda teu caráter
Pelo prazer de ver o outro
Padecer
Pelo prazer de, quem sabe, sentir
Nada mais que prazer
Alimente ideologias nobres, porém
Se a consciência falar
Grite mais alto que ela
Seja mais do mesmo
Carrasco da injustiça
Em nome da própria justiça
Honra tua vingança
Usando-a como bússola e norte
No caminho covarde do orgulho
E, sobretudo, não desconfie
Da ordem natural das coisas
Do papel em que está inserido
Pois até a natureza
Precisa dos vermes
morto
domingo, 10 de fevereiro de 2019
ALIENADO
Como devo proceder?
Qual perspectiva devo cultivar?
Com qual ilusão devo enxaguar
Meus olhos?
Devo me medicar
Com doses de otimismo
Duas vezes ao dia?
As notícias se dissolvem
E sujam minhas mãos de sangue
Como me limpar?
Quisera eu
Ignorar as letras minúsculas
Que descrevem catástrofes
Imensuráveis
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
IMPORTA QUEM SE IMPORTA?
Eu não estou nem aí
Pro que pensam de mim
Pro que dizem de mim
Pro que falam pra mim
Eu não estou nem aí
Pro que pensam de você
Pro que dizem de você
Pro que falam pra você
Eu não estou nem aqui
Mas eu estou aí
Se você não estiver aí
Mas estiver aqui.
Pro que pensam de mim
Pro que dizem de mim
Pro que falam pra mim
Eu não estou nem aí
Pro que pensam de você
Pro que dizem de você
Pro que falam pra você
Eu não estou nem aqui
Mas eu estou aí
Se você não estiver aí
Mas estiver aqui.
EFEITO FÚTIL, AFETO OCO
As mãos simples são simples,
não tem muito a oferecer.
Resolveram troca-las
por adagas de ouro,
desde então os abraços
começaram a doer.
não tem muito a oferecer.
Resolveram troca-las
por adagas de ouro,
desde então os abraços
começaram a doer.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
ÓPTICA DA SENHORA VIDA
Todo o peso da senhora vida
sustentado por uma bengala.
Auxilia na caminhada
este objeto metálico,
semi curvo de tanto uso,
firme como a fé,
reluzente como a ilusão.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
GOIABAS E NADA
Confiscaram as goiabas
Do vendedor de goiabas
Levaram as sacolas
E também sua carriola
A cidade está bichada
Do vendedor de goiabas
Levaram as sacolas
E também sua carriola
A cidade está bichada
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