quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

ARES PLATÔNICOS


A terra seca
É apaixonada pela chuva
Mas a chuva não vem
Os galhos secos são arrebatados
Pelo vento tórrido
E assim,
As lamúrias da terra
Tornam-se rachaduras
Abandona a utopia
Aceita seu destino
De ser para sempre
Turva ao olho humano
E nada mais
Do que a ambição
De um sol carrasco

morto

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

AINDA RESISTE ARTE

Ainda existe arte
Quando tudo desmorona:

Há uma fresta entre
os escombros
Neste vão retangular
Pode-se enxergar
Uma trilha feita de migalhas de afeto
Que leva a um deserto
De areia vermelha como sangue
Onde crianças engravatadas
Brincam com balões de oxigênio
Cédulas de couro
E foices de papel
Dançam ao som confuso
Oriundo de um instrumento confuso
Um coração enferrujado
Supostamente danificado
Pelo vômito de nuvens bêbadas
E suas lágrimas de rancor

Mas isso é coisa de outros universos
Basta unir versos
Para recordar
Que ainda existe arte
Quando tudo desmorona


Morto

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

SENTENÇA

O amor me colocou
no seu coração,
mas agora o ódio
não me tira de lá.
Aguardo pela liberdade
da indiferença.

morto

CRUEL

Condenado por todos
Será aquele
Que conhecer a hipocrisia
Detrás do coração puro 
do pacifista.
Este, que usa a dor dos injustiçados
Não poupa em se armar do trivial
E transformar num punhal
A estatística

morto