A cada passo sem sucesso
Junto as minhas poesias falidas
Cuspindo letras eu expresso
as cicatrizes (ou feridas?)
E quando o remorso cala
vem a questão que condena:
"Ora, a vida é rara;
de mim não sinto pena."
Entenda, somos pedras
que o tempo apenas esculpe.
Me perdi em minha esfera,
me perdoe, me desculpe.
André Muerto
sexta-feira, 17 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
MANTRA DA CONVIVÊNCIA
Ver cada um como um espelho,
cada vida como um universo.
Perseverar e enfrentar o medo
de viver o amor na condição de verbo.
André Muerto
quarta-feira, 8 de maio de 2013
PAZ COM ASPAS
Os jovens apreciadores
dos bons costumes, da moral
Conectados,
gozam a falsa liberdade.
Defendem o animal,
matam o marginal,
com a boca que condena
com o olho que arde.
André Muerto
dos bons costumes, da moral
Conectados,
gozam a falsa liberdade.
Defendem o animal,
matam o marginal,
com a boca que condena
com o olho que arde.
André Muerto
segunda-feira, 6 de maio de 2013
NÃO SE MATE
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam, .
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond de Andrade
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam, .
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond de Andrade
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