terça-feira, 29 de setembro de 2020

À ALFORRIA DO ALZHEIMER

Quando a morte acariciar
as maçãs do teu rosto
E finalmente morder
o fruto pecaminoso 
Teus lábios moribundos e secos
beijarão as nuvens do céu
A língua em que trepida a voz seca
conhecerá o mais doce mel
Tuas cavidades se libertarão das sondas
Teu rosto sentirá a brisa do mar 
que o protegerá com os afagos das ondas. 
 
André

Depois de tantas visitas neste lugar,

a paz que se formava

em abraços e conchas do mar 

buscou carona no caos e em meteoros,

quando o humano cansou-se do amor

e o ego pétreo dominou seus olhos.

Seus braços, guindastes desnorteados

sedentos pelo sangue preto

do globo azulado.

Suas mãos são a cobiça

a transformar o tronco em clava,

como um anjo que usa seu dom 

para amputar as próprias asas.

Sua arte que encena o fim da dor,

embaixo das nuvens que choram

sobre o fogo devastador.

Para as estrelas

são mortalhas de algodão

sobre os filhos teus

que fazem da linha do tempo

um arame farpado

entrelaçado às costelas de deus.


Morto

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Antes de se esparifarem no chão

Os galhos das árvores acenam 

E lentamente

Suas folhas dizem "adeus"

E quem tentar decifrar o mundo

Um dia há de se cansar

Dos conselhos extraídos

Da leitura labial das flores

Da voz do vento

Das batidas do coração

E de tantos outros presentes

Que só os ingratos desconhecem.


Morto