terça-feira, 29 de setembro de 2020
À ALFORRIA DO ALZHEIMER
Depois de tantas visitas neste lugar,
a paz que se formava
em abraços e conchas do mar
buscou carona no caos e em meteoros,
quando o humano cansou-se do amor
e o ego pétreo dominou seus olhos.
Seus braços, guindastes desnorteados
sedentos pelo sangue preto
do globo azulado.
Suas mãos são a cobiça
a transformar o tronco em clava,
como um anjo que usa seu dom
para amputar as próprias asas.
Sua arte que encena o fim da dor,
embaixo das nuvens que choram
sobre o fogo devastador.
Para as estrelas
são mortalhas de algodão
sobre os filhos teus
que fazem da linha do tempo
um arame farpado
entrelaçado às costelas de deus.
Morto
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Antes de se esparifarem no chão
Os galhos das árvores acenam
E lentamente
Suas folhas dizem "adeus"
E quem tentar decifrar o mundo
Um dia há de se cansar
Dos conselhos extraídos
Da leitura labial das flores
Da voz do vento
Das batidas do coração
E de tantos outros presentes
Que só os ingratos desconhecem.
Morto