O tempo anuncia a perda, o desgaste traz mais um degrau.
A mandíbula não se movimentou o suficiente
para tentar sustentar o que hoje é insustentável,
não se movimenta o suficiente para retardar
o rumo de uma existência- sempre rotulada pela demência.
Respirar, reunir forças para se machucar novamente.
Agora a noite traz consigo mais uma nostalgia
para cobrir o velho com o novo.
A mente entorpecida tropeça nas sílabas,
derrete-se em vogais
e acaba descobrindo que a essência da existência
se entrelaçou com a posse;
descobre também que tudo que é aceito,
pode ter sido rejeitado um dia.
Uns se tornam o que rejeitam, outros rejeitam o que se tornaram.
.Ãdreh Muerto
