sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Nascer

Morte que traz nova vida,
Gratidão à senhora
Que retira as escamas da mentira
Quando o amor puro se renova

Nova lição aprendida
A Beleza a que se deteriora
É a que fere e exala impureza
De dentro para fora

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

CAMISEIROS DO HEMISFÉRIO MORTE

Tecem-se histórias 
na geografia das almas.

A ilusão, quase invisível 
é uma agulha à costurar corações,
usando linhas imaginárias.


Murto

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

domingo, 25 de novembro de 2018

MAIS QUE ARTE

A arte
A arte do artista
O nome na arte do artista
O nome e o registro do artista
O nome, o registro e o prestígio do artista
O nome, o registro, o prestígio e o ego do artista
O artista, o artista, o artista, o artista, o artista e o artista.



Muerto

sábado, 10 de novembro de 2018

FRASE DE ESCAMBO

Silêncio pairando no ambiente
"Eu te amo"
Bocejando no café
"Amo te"
Dividindo espaço no coletivo
"Amo você"
Nas manifestações digitais
"Meu amor"
Trocando fluídos com desconhecidos
"Ti Amo"
Cuspindo na face
"Amo-lhe"

É o corpo furtando
o dialeto da alma,
que, no presente, é linguagem
cotidiana e vazia.
Ego que estupra o mantra sagrado.
Usa, flerta, veste
e espera a moeda de troca:
"Amor" é graça
E por fim,
a graça do outro.

É o robô humano
mendigando fichas de compromisso,
que quando inseridas 
pronunciará:

Eu-te-amo


Muert


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

SENTIDO

10:15 AM


Deixo aqui este registro:


Nossos métodos
de contar o tempo
Nossas formas
de medir o espaço
são falhos,
e não se aplicam mais a mim.

Me encontro agora
além dos segundos
dos relógios humanos;
Além da minha morada
de órgãos empilhados,
presos por tendões e
esculpidos por tecidos.

Minha essência vital
(a que chamo de alma)
coabita todas as dimensões,
devora fórmulas, rótulos
e todas as ciências.
Reside no momento lisérgico
em que o destino e o acaso
deram as mãos
E nossos olhares
se tornaram
um.


Muerto

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

sábado, 27 de outubro de 2018

PREVIDENCIA

Carimbe a cartilha azul
Registre para mim
Assine para todos
Que eu e meu valor
Somos um só
Números com corrente sanguínea
Entre números concorrentes
Que também alugam o tempo
De vida que lhes restam

Muerto

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Perspectivas e as verdades do Ego Sistema


É algo curioso quando penso sobre a forma que nossos conceitos se desenvolvem: Nossas experiências e nossos hábitos são como tijolos que a cada dia constroem e moldam a nossa visão sobre a vida.

Através da minha perspectiva eu posso sentir, entender ou não entender esse conjunto de sentimentos que podem afetar a minha visão sobre as coisas; é como uma estrada que pode ser danificada pelos automóveis, ou como automóveis que são danificados pela estrada.

Certa vez, ao acordar, analisei a rua onde moro. A calçada, o asfalto, os postes, as casas, a padaria e o bar; que fica em frente à minha casa.
Ao amanhecer, suas portas estão fechadas, a calçada está limpa e o falatório noturno é substituído pelo som dos pássaros.
Quando anoitece, os postes se acendem e deixam a rua sob um aspecto amarelado, as pessoas começam a chegar e um novo ciclo se inicia.

Aconteceu que, neste mesmo dia, eu me encontrei com algumas pessoas neste bar e não imaginei que a minha análise passaria daquela pequena reflexão matutina.
Entre as risadas e os ruídos dos copos, alguém resolveu expor a sua perspectiva sobre a vida. O álcool a fazia tropeçar nas tais teorias que dizia, porém, havia muita firmeza em seu tom de voz.
Suas ideias ali expostas descascavam o mundo como se fosse um fruto de sumo amargo e sementes ocas.
Tantas teorias sólidas me faziam questionar sobre aonde havia se escondido a pureza deste mundo. Todos concordavam, não havia dúvidas.
Refleti sobre a razão de haver um ciclo. Qual o sentido do fim e do recomeço?

Naquela mesma manhã, meus olhos pousaram sobre aquela calçada limpa, agora machucada pelas cinzas e cacos.
Naquela mesma manhã, ouvi o canto puro dos pássaros, agora substituídos por papagaios diplomados que ecoam as verdades dos que não estão mais aqui.
Esses eram os meus argumentos e os guardei comigo. Me senti um cego a mais, que, quando alguém estende a mão, não pensa se ela já agrediu.

Junto ao meu silêncio, as minhas testemunhas eram o asfalto, os postes e a calçada amarelada, pois eu sabia que no dia seguinte a mesma estaria limpa.

Essas eram as verdades da rua e eu escolhi qual eu deveria contemplar.

Muerto

domingo, 7 de outubro de 2018

E disse o Divino: "Ame seu inimigo!"
E eu o obedeci,
E amei a mim mesmo.

Khalil Gibran

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Se nada nos salva da morte, que pelo menos o amor nos salve da vida.

Javier Velaza em: Los arrancados

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ARQUIPÉLAGO SOCIOPATA DO SUL


Nadam no universo do nada
Se abrigam em conceitos frágeis, de areia
Depois matam a sede de ser feliz
Sempre bebendo da lágrima alheia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

"São muitos os que fazem sexo e são virgens de amor."

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ela se apaixonou pelo médico.
Viveu saudável, o resto da vida.

Ela se apaixonou pelo cozinheiro.
Comeu bem, o resto da vida.

Ela se apaixonou pelo poeta.
Se tornou imortal, em cada verso.

Brendow H. Godoi

terça-feira, 15 de maio de 2018

sábado, 28 de abril de 2018


Todas as coisas
e todos os seres
são dignos de poesia.
Mas nem todos são

poesia.




Morto

terça-feira, 3 de abril de 2018

DIZEM?

Dizem? 
Esquecem. 
Não dizem? 
Disseram. 

Fazem? 
Fatal. 
Não fazem? 
Igual. 

Por quê 
Esperar? 
Tudo é 
Sonhar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" 

quarta-feira, 28 de março de 2018

PARA A(S) ALTO-SANTENSE(S)



Preciso lhe dizer,
Os vagões enlouqueceram
e os trilhos tudo aceitam.
Eu nunca mais fantasiei
tais lamúrias mecânicas
imaginando o ruído,
o falatório e o som das páginas;
Além de ti, preocupada
com as cinzas do teu cigarro
e o ponteiro do relógio.

Preciso me conter,
As pessoas enlouqueceram
e os corações nada aceitam.
Eu nunca mais questionei
a sanidade e suas nuances,
imaginando o amor:
Uma semente a ser cultivada;
Além de ti, despreocupada
com a cidade cinza e o teu cigarro.
Que seja um presságio
a sua presença.

Muerto

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

AMAR!

"..Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar!"

Florbela Espanca, trecho de amar!, em "Charneca em Flor"


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A sombra aumenta
Ou diminui
De acordo com a luz

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Dói tanto
Dizer adeus...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

DEPOIS DO TEMPORAL

Cansado coração, ouve, lá fora,
O turbilhão do temporal violento,
Cai o granizo, ruge a voz do vento...
É a Natureza que se desarvora.

O firmamento é anônima cratera,
Quando o raio estraçalha a noite escura,
E choras, ante o caos e a desventura,
A prova que te ensombra e dilacera.

Ao furacão que passa, caem ninhos,
Tombam troncos, a ímpetos medonhos,
E recordas as pedradas dos caminhos,
Que varaste perdendo os próprios sonhos!...

Espera e crê!... O temporal vai longe!...
Amanhã seguirás em nova estrada
E, ao teu olhar, a luz será mais linda,
Quando o Sol acender a madrugada!...

(Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier. Do livro “Estrelas no Chão"- Edição GEEM)