segunda-feira, 30 de novembro de 2020

MORTE

Os olhos se embriagam

com a pureza

da breve existência

da gota da chuva

que beija o solo e se desfaz.

Há uma certa pureza

em tocar as mãos gélidas da morte,

esperando que ela possa abrir

a cortina estrelada do universo,

onde o cosmos se senta

para contar as anedotas 

sobre planetas

que duram como bolhas de sabão;

Sobre como é divertido

ver o seu reflexo

no símbolo da ressureição:

A traseira do besouro

colecionador de esterco.

E a vida dos miseráveis 

que se matam sob o sol escaldante,

apesar de devorarem as entranhas

dos seus semelhantes,

eles temem a morte porque se esqueceram 

que a semente do fruto podre

amanhã será árvore 

e que a gota da chuva

um dia já foi mar.


André