A verdade envelhece e
oculta sua face carcomida.
Usa um capuz dourado sobre
um tecido colado em feridas secas.
Um véu estrelado cobre seu pescoço,
ocultando hematomas e arranhões.
A verdade carrega um saco rústico,
amarrado aos seus dedos leprosos,
amarrado aos seus dedos leprosos,
suas pontas se arrastam no chão
como se carregasse crucifixos pontiagudos.
A verdade tem voz rouca,
suas cavidades pressionam o fole
que mal pode apagar uma vela,
suas cavidades pressionam o fole
que mal pode apagar uma vela,
mas a potência de sua risada é
de uma criança que ri
quando o adulto esconde seu rosto.
de uma criança que ri
quando o adulto esconde seu rosto.
Os que se aproximam da verdade
contam que seus bolsos estão cheios de cartas amassadas,
escritas com lápis de cor,
se referindo à inocência do amor.
A verdade é anêmica, sente fome e sede.
Sua pele é grampeada às costelas curvas como pernas de moscas.
Os dentes alojados no estômago da verdade, assim como seus joelhos esfolados,
registram suas múltiplas quedas.
registram suas múltiplas quedas.
A verdade vagueia nas beiras dos córregos vermelhos,
trincados no globo ocular daqueles que se arrependem.
A verdade vê seu reflexo nos espelhos quebrados, nas cicatrizes dos punhos, nas portas dos orfanatos.
A verdade vê seu reflexo nos espelhos quebrados, nas cicatrizes dos punhos, nas portas dos orfanatos.
A verdade mora na sombra da árvore sobre o túmulo do ego.
A verdade rega suas flores com a chuva.
A verdade morre todos os dias,
mas ressuscita depois do gozo e do pranto.
A verdade renasce na carne ensanguentada, nas batidas do coração, na saliva do esfomeado, no agradecimento sincero e, sobretudo, nos pedidos de perdão.
A verdade é a única que pode libertar.
Morto
A verdade é a única que pode libertar.
Morto