Todo dia a rotina ameaça pular de um prédio.
Chegam as ambulâncias;
Os inseguros afastam as pessoas,
os acomodados observam nas calçadas,
o repórter adicto anuncia nas redes e no telejornal.
Mas a rotina é imortal.
Se atira rumo à morte
para se desfragmentar no solo da vida.
Quando se esconde no canto dos pássaros,
quando é recebida pelo acaso;
quando, por acaso,
o céu muda de cor
e uma borboleta-azul pousa nos dedos do tédio.
A rotina foi salva
pela grandiosidade das pequenas coisas.
Morto