terça-feira, 23 de outubro de 2018

Perspectivas e as verdades do Ego Sistema


É algo curioso quando penso sobre a forma que nossos conceitos se desenvolvem: Nossas experiências e nossos hábitos são como tijolos que a cada dia constroem e moldam a nossa visão sobre a vida.

Através da minha perspectiva eu posso sentir, entender ou não entender esse conjunto de sentimentos que podem afetar a minha visão sobre as coisas; é como uma estrada que pode ser danificada pelos automóveis, ou como automóveis que são danificados pela estrada.

Certa vez, ao acordar, analisei a rua onde moro. A calçada, o asfalto, os postes, as casas, a padaria e o bar; que fica em frente à minha casa.
Ao amanhecer, suas portas estão fechadas, a calçada está limpa e o falatório noturno é substituído pelo som dos pássaros.
Quando anoitece, os postes se acendem e deixam a rua sob um aspecto amarelado, as pessoas começam a chegar e um novo ciclo se inicia.

Aconteceu que, neste mesmo dia, eu me encontrei com algumas pessoas neste bar e não imaginei que a minha análise passaria daquela pequena reflexão matutina.
Entre as risadas e os ruídos dos copos, alguém resolveu expor a sua perspectiva sobre a vida. O álcool a fazia tropeçar nas tais teorias que dizia, porém, havia muita firmeza em seu tom de voz.
Suas ideias ali expostas descascavam o mundo como se fosse um fruto de sumo amargo e sementes ocas.
Tantas teorias sólidas me faziam questionar sobre aonde havia se escondido a pureza deste mundo. Todos concordavam, não havia dúvidas.
Refleti sobre a razão de haver um ciclo. Qual o sentido do fim e do recomeço?

Naquela mesma manhã, meus olhos pousaram sobre aquela calçada limpa, agora machucada pelas cinzas e cacos.
Naquela mesma manhã, ouvi o canto puro dos pássaros, agora substituídos por papagaios diplomados que ecoam as verdades dos que não estão mais aqui.
Esses eram os meus argumentos e os guardei comigo. Me senti um cego a mais, que, quando alguém estende a mão, não pensa se ela já agrediu.

Junto ao meu silêncio, as minhas testemunhas eram o asfalto, os postes e a calçada amarelada, pois eu sabia que no dia seguinte a mesma estaria limpa.

Essas eram as verdades da rua e eu escolhi qual eu deveria contemplar.

Muerto

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