terça-feira, 14 de janeiro de 2020

AINDA RESISTE ARTE

Ainda existe arte
Quando tudo desmorona:

Há uma fresta entre
os escombros
Neste vão retangular
Pode-se enxergar
Uma trilha feita de migalhas de afeto
Que leva a um deserto
De areia vermelha como sangue
Onde crianças engravatadas
Brincam com balões de oxigênio
Cédulas de couro
E foices de papel
Dançam ao som confuso
Oriundo de um instrumento confuso
Um coração enferrujado
Supostamente danificado
Pelo vômito de nuvens bêbadas
E suas lágrimas de rancor

Mas isso é coisa de outros universos
Basta unir versos
Para recordar
Que ainda existe arte
Quando tudo desmorona


Morto

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