Caminho impacientemente
Busco espaço nas calçadas
Mesmo fatiando o aglomerado
Sobrevivo às canções de venda
E ao hálito pútrido das falas cheias de preconceito
Mas é inútil ignorar as mordidas
E os latidos da cadela luso-italiana
Que há tempos se exalta sobre essas terras
Pessoas uniformizadas discutem o clima e o amor
Forjam suas frustrações em ferro fajuto:
Desculpas na tentativa de acorrentá-lo
Chicoteados pelo som que ecoa nos quarteirões
Todos são conduzidos por grandes letreiros
Que sugerem o que supostamente é bom e melhor
Então engulo meu pavor, um vômito azedo
O alívio surge nos pombos entre a multidão
Eles devoram os restos de qualquer coisa
Interessados apenas na imundície
Esbanjam o quanto temos em comum
Mas desconhecem nossos sonhos e aflições
Nossa excelência em sermos
Fábricas de pudores e rótulos
Nós, a legítima praga urbana.
Morto
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