Pensava o vivo:
e se deste plano para o outro
a morte amortecesse
e não doesse mais?
E se tudo acabasse?
E se os olhos fechassem
e nada mais afetasse,
nem caos, nem paz?
E se não houvesse pensamento,
memória ou sentimento;
no fim, um argumento:
não mais respirar.
E se o que é importante
virasse pó num instante,
obsoleto, errante;
sem subtrair nem agregar?
Então, de repente
me recordo do ventre
que abrigou fragilmente
e fez a vida pulsar.
Mas, de repente
contemplo a semente
minúscula e potente,
pôde uma floresta gerar.
De repente, um ciclo:
do meteoro ao cisco;
da harmonia ao conflito,
o fim é criar.
De repente morrer.
De repente viver.
Se olhos se abrissem
no início: amar.
Morto
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