terça-feira, 23 de setembro de 2008

CARVOEIRO

Desgarrado da fé,Sobrou o corpo esquálido,
Descalço, mas de pé.
Sem o controle nas mãos,
E, manchando as palavras.
De páginas douradas
.
A lágrima a sentir mansamente,
Uma forma de castigo,
Faz o ser, escravo dos desejos.
Contente e julgado
Nas grades de si mesmo.
.
Então, nada mais que nuvens,
Feridas nos joelhos,
A fé do carvoeiro
Transcende energia
Pura, mas, solitária.
.
Apenas palavras,
Grandes sentimentos,
Respostas vazias,
O hábito de crer sem ver,
Sentir sem saber,
Acreditando no silêncio
Da onipotência.
.
Sem saber o que é verdade,
Retorna ao leito
O mesmo corpo esquálido.

.
Edilson Monteiro Neto

Um comentário:

Algoindigesto disse...

O costume de acreditar no que é pregado desde que alguém se torna alguém acaba cegando a ponto da dor ser tão aceitável como um acaso que é rotulado como milagre.
A mente de quem é controlado por algo, seja por necessidade ou qualquer outro motivo não amplia, se fecha até não entrar mais nada, só o conformismo pode anestesiar algumas pessoas que mal podem refletir sobre a realidade, ou sobre o que pode ser realidade.